23 de Setembro, 2020

O papel das vitaminas e dos minerais na gravidez

A importância de uma correta alimentação no período pré-concecional e ao longo de toda a gravidez vai muito para além do ajuste calórico face ao aumento das necessidades nutricionais, que se verifica a partir do 2º trimestre.

É verdade que as necessidades nutricionais em macronutrientes estão aumentadas quando entramos no 2º trimestre, sobretudo as necessidades proteicas (1.1g/kg/dia para mulheres grávidas contra 0.8g/kg/dia para mulheres não grávidas) e de Hidratos de Carbono (170g/ dia contra 130g/ dia para mulheres não grávidas); no que respeita à Gordura/ Lípidos não existem recomendações específicas para as grávidas, no entanto, estas apresentam necessidades aumentadas de ácidos gordos essenciais, nomeadamente o ácido linoleico (n-6) e ácido alfa-linolénico (n-3).

No entanto, não menos importante do que adequar o aporte calórico ao trimestre de gestação é, garantir que a grávida ingere, diariamente, as quantidades de referência para este período da sua vida, no que respeita aos Micronutrientes: vitaminas e minerais. Existem micronutrientes que têm as suas necessidades aumentadas para suprir as exigências nutricionais da gestação, é o exemplo do (tão nosso conhecido) Ácido Fólico.

Estes nutrientes desempenham funções importantes no correr na gestação e no próprio desenvolvimento do feto.

Seguem alguns exemplos:

  • A Vitamina B6 presente, por exemplo, em cereais integrais e na carne, ajuda a amenizar os sintomas de vómitos e náuseas;
  • O Ácido Fólico desempenha um papel chave na redução do risco de desenvolvimento de malformações do tubo neural do bebé;
  • O Ferro em combinação com o Sódio, Potássio e Água, ajuda a aumentar o volume sanguíneo e prevenir a anemia. É importante para o metabolismo energético e para o desenvolvimento do sistema nervoso fetal. O défice deste mineral pode originar: risco de baixo peso do bebé ao nascimento, prematuridade e mortalidade perinatal e perturbações na formação e organização neuronial;
  • O Cálcio é importante para os ossos e dentes saudáveis quer da mãe quer do bebé;
  • O Zinco é necessário para o bom desenvolvimento neurológico do bebé e a sua deficiência pode provocar malformações congénitas, baixo peso ao nascimento e morte prematura;

Por forma a garantir a ingestão diária de referência destes nutrientes é importante que a grávida tenha uma alimentação que assente nos três pilares da nossa Roda dos Alimentos Portuguesa: completa, variada e equilibrada.

À exceção do Ácido Fólico, cuja suplementação é imperativa no período gestacional e, idealmente, até no período pré-concecional (3 meses antes da conceção), as necessidades dos micronutrientes conseguem ser atingidas com a ingestão dos alimentos corretos, ou seja, sem necessidade de recorrer a suplementos, caso algumas exceções, como por exemplo, gravidezes de alto risco. É sempre importante salientar que cada grávida tem necessidades específicas. Cada caso deverá ser analisado pelo médico obstetra que acompanha a grávida, ele decidirá se existe ou não necessidade de suplementação.

Em conclusão, um plano alimentar adequado à grávida é muito mais do que “não deixar que ela aumente demais o peso”. Um plano alimentar adequado às exigências nutricionais da gravidez permite-nos garantir que estamos a nutrir corretamente o nosso bebé e a proporcionar-lhe o melhor ambiente nutricional para que ele cresça e se desenvolva corretamente.

Carla Gomes – Nutricionista Bebé4D
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